Hora extra silenciosa: aquela “forcinha” fora do expediente pode custar caro.
Entenda como o hábito de estender o trabalho sem registrar pode gerar um passivo trabalhista.
Por: Heloísa Lopes
O que é hora extra silenciosa?
É a prática onde o colaborador trabalha além de sua jornada contratual, sem o registro formal desse tempo trabalhado e sem a devida remuneração ou compensação. Esta prática ocorre discretamente, muitas vezes sendo considerada normal dentro da empresa, onde o colaborador sempre dá uma “forcinha”.
A hora extra silenciosa é considera ilegal?
Sim, é ilegal. A legislação brasileira deixa claro que qualquer tempo trabalhado além da jornada contratual deve ser remunerado ou compensado. Mesmo que o colaborador não registre ou não reclame, a empresa pode ser responsabilizada futuramente.
A hora extra silenciosa pode gerar alguns riscos para a empresa, dentre eles:
1.Ações trabalhistas com pedido de reconhecimento de horas extras;
2.Indenizações por dano moral (não em todos os casos);
3.Multas e passivos que afetam o caixa da empresa.
Como identificar as horas extras silenciosas:
1.Responder e-mails ou mensagens fora do expediente;
2.Permanecer no escritório “só mais 15 minutinhos”;
3.Acessar sistemas da empresa remotamente à noite;
4.Participar de reuniões antes ou depois do horário.
Vale lembrar: se envolve trabalho, é jornada. E toda jornada precisa de controle e compensação.
O que a Justiça diz?
Pela CLT (art. 4°), o tempo que o trabalhador fica à disposição da empresa deve ser pago, mesmo sem ordens diretas, ou seja, responder e-mails, ficar após o expediente ou adiantar tarefas fora do horário pode gerar hora extra.
A Justiça tem reconhecido essa prática como trabalho não remunerado e condenado empresas ao pagamento com reflexos legais. O empregador não pode alegar desconhecimento quando se beneficiou do trabalho realizado.
Conclusão:
A chamada “hora extra silenciosa” pode parecer um gesto de boa vontade, mas na verdade é tempo de trabalho que deve sim ser remunerado. Ignorar essa realidade irá expor a empresa a riscos jurídicos e financeiros consideráveis, além de desrespeitar os direitos do funcionário. Desta maneira, o controle rigoroso da jornada, o diálogo transparente e o respeito às normas trabalhistas são essenciais para evitar passivos e garantir um ambiente justo para o empregador e para o empregado.