Violação de dados no Brasil: o custo da negligência digital
Por: Sarah Pereira
A violação de dados deixou de ser um evento extraordinário e passou a representar um risco concreto, recorrente e altamente oneroso, especialmente para o setor empresarial. De acordo com relatório da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil alcançou R$ 7,19 milhões. Contudo, o aspecto mais preocupante está no que ele revela: muitas empresas ainda se mostram despreparadas para lidar com a realidade da economia digital e com as exigências impostas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Impactos que vão além do prejuízo financeiro
Um incidente de segurança raramente se encerra no momento do ataque. Seus efeitos se prolongam no tempo, resultando em custos operacionais elevados, despesas jurídicas, interrupção de atividades e, sobretudo, no abalo da credibilidade da empresa perante o mercado. Em inúmeros casos, o dano mais severo não se reflete imediatamente nos demonstrativos financeiros, mas se manifesta na quebra de confiança entre clientes, parceiros e demais titulares de dados direta ou indiretamente afetados.
O fator humano como elemento central do problema
Os principais vetores de ataque permanecem conhecidos, como o phishing. Embora a tecnologia tenha evoluído significativamente, o comportamento organizacional interno não acompanhou essa evolução na mesma velocidade. Grande parte das violações não decorre de sistemas altamente sofisticados, mas de falhas simples, recorrentes e plenamente evitáveis. Um clique indevido, um acesso mal gerenciado ou políticas internas que nunca foram efetivamente implementadas.
Inteligência artificial, automação e a falsa sensação de segurança
A inteligência artificial tem sido apontada como importante aliada na prevenção e na resposta a incidentes de segurança. De fato, empresas que adotam automação e IA de forma estruturada conseguem reduzir significativamente os impactos financeiros decorrentes de uma violação.
O risco surge quando a tecnologia avança sem governança adequada. A ausência de políticas claras, controles de uso e avaliação contínua de riscos transforma a inovação em vulnerabilidade. Nesse contexto, aquilo que deveria proteger passa a expor a organização.
A chamada shadow AI, resultante do uso não autorizado ou descontrolado dessas ferramentas, já configura um novo vetor de risco, ampliando a superfície de ataque e elevando substancialmente os custos dos incidentes.
Segurança da informação como decisão estratégica
A proteção de dados não é uma escolha meramente técnica. Trata-se de uma decisão estratégica, com impacto direto na sustentabilidade e no crescimento do negócio. Empresas que compreendem essa realidade investem em prevenção, capacitação interna e governança da informação. A pergunta, portanto, não é se vale a pena investir em segurança da informação, mas se a organização está preparada para suportar os prejuízos financeiros, jurídicos e reputacionais decorrentes da omissão. No ambiente digital, a inércia também gera responsabilidade.







